25 agosto 2017

JG

Escrevo sobre a perda e a dificuldade em lidar com ela.

Um blog simplesmente desaparece. Não por vontade do seu dono, mesmo que ele tenha deixado de publicar, mas por essas vias incompreensíveis da internet, do Blogosfera.
O excelente Blog "O SÉCULO PRODIGIOSO blogspot" desapareceu, ou "O blog  foi removido" como aparece no link.
Acontece que ele não tinha sido removido pelo seu dono, o JG.

O Jacinto Gomes bem que tentou resolver essa confusão, esse estrago junto ao Blogger, mas não conseguiu e, depois, não teve mais tempo.
Lamentavelmente perdeu-se uma excelente fonte de pesquisa de Arte do século XX.


Foi pesquisando sobre Arte que cheguei a esse Blog.
E, acredito que por obra dos bons deuses, quase sem querer, soube quem era o JG.
Num encontro de blogueiros (como foi bom esse tempo) no apartamento da Paulinha e do Edu, do "Varal de Idéias", soube da existência desse português, o Jacinto Gomes. 

Eles eram amigos!
Sorte a minha; por meio deles fiquei sua amiga também, melhor, tive o privilégio de ser sua amiga. 

Tive a oportunidade de conhece -lo pessoalmente em Lisboa.
E nesse último ano, tive a graça de manter conversas diárias com ele através do WhatsApp.

O Jacinto era um homem tímido e bem humorado, culto sem ser esnobe. Discreto e generoso. Doce e gentil. Um homem em vias de extinção.
Sem dúvida alguma e dolorosamente, em vias de extinção.

Esse texto, que só agora passado um mês, eu consegui escrever, é sobre a saudade, sobre a fragilidade da vida.
Sobre o acaso dos bons encontros. Sobre o tempo e as escolhas que fazemos, sobre as conversas e histórias que ficaram por dizer.
Sobre as decisões que temos que tomar no dia a dia. Sobre o afeto, amizade e a confiança.
Esse texto também é sobre os encontros marcados e não ocorridos.

Não houve tempo para o nosso tão desejado café, regado com muita prosa e com os olhos inundados do Tejo.
Foi mesmo por um dia. Somente um dia.

A vida é efêmera e voluntariosa. Não temos, absolutamente, o mínimo controle sobre ela.

Obrigada Jacinto por sua amizade, carinho e dedicação.
Estou cheia de saudades meu amigo.
                                 LI

 Nós em Lisboa, Julho de 2015

4 comentários:

Isabel disse...

O seu texto é triste, mas tão verdadeiro!
E quanto mais "crescemos", mais temos a certeza de como a vida passa tão depressa e tudo pode ser tão efémero.

Lamento que tenha perdido esse amigo.

Beijinhos e bom fim-de-semana:)

myra disse...

Li, eu sei o que e perder um amigo...mas voce nao perde ele, esta sempre com voce...perto..
mil beijos...

Li Ferreira Nhan disse...

Tens razão, pessoas muito queridas permanecem sempre conosco.
Obrigada Myra. Beijos

Li Ferreira Nhan disse...

É injusto perder amigos; não fomos preparadas para isso.
Por fim a vida encarrega- se, dolorosamente, de nos ensinar.
Muito obrigada por suas palavras Izabel. Beijos.